Pular para o conteúdo principal

João com Síndrome de Cornelia de Lange

Combater uma doença rara com autonomia na Casa dos Marcos 

Único centro do mundo de recursos integrados - clínica e residências - para doentes de patologias raras está situado na Moita.
 João David, 30 anos, está tão fixado no tablet e de auscultadores nos ouvidos a ver um jogo do seu Benfica, que nem se apercebe de que entraram visitas. Tem a camisola do clube da Luz vestida, mas um simples toque no ombro dado pela monitora é quanto basta para se pôr de pé e receber quem chega com um sorriso largo. "Também trabalho aqui", avisou este utente da Casa dos Marcos, criada pela Raríssimas na Moita para ajudar pessoas com doenças raras, uma patologia que é assim definida quando afeta no máximo uma pessoa em cada 2000. 
João sofre da síndrome de Cornelia de Lange, uma doença associada a malformações congênitas e atraso no desenvolvimento psicomotor, com prevalência de uma para cada dez mil pessoas e faz sua a Casa dos Marcos. Uma residência autonoma, a primeira dedicada ao cuidado das pessoas com doenças raras, e que neste momento recebe 40 doentes. 
João partilha o quarto com mais quatro jovens dotados de maior autonomia. Por isso passeia com confiança pelos corredores, abre portas dos quartos e apresenta tudo por onde vai passando. Avisa que por aqui "não é só boa vida" e que também é preciso alinhar à hora de fazer a cama, a limpeza e a comida. "Gosto de tudo, mas prefiro salsichas", confessa, colocando a manutenção do canil da Tonisha, a cadela de estimação, entre os seus afazeres diários. Mostra-se preocupado com o aproximar do almoço, porque combinou com o seu "mano" Ricardo Gaspar almoçarem juntos. Ricardo tem 19 anos e chega do trabalho. Sim, do trabalho. Esteve na lavagem auto, junto à garagem, a limpar carros dos funcionários da instituição. "Agora já pagam cinco euros", diz em surdina, depois do aumento de janeiro, levando à letra o adágio "ano novo vida nova". "Pagavam só três euros. Agora é muito melhor", remata o jovem entre gargalhadas. Sofre de síndrome de Prader- Willi. Afeta uma pessoa em cada 10 mil a 30 mil, traduzindo um distúrbio genético que se reflete num atraso no desenvolvimento psicomotor e está associado à obesidade mórbida. Mas está longe de ser obeso, justificando que tem sempre apetite, mas procura ocupar o cérebro com outras coisas. 
João David diz-lhe que já volta. Que não comece a almoçar sem eles. Que vai "só ali" mostrar a Tonisha. A cadela recebe-o aos saltos. Mário Borges, do gabinete de comunicação, revela que talvez João consiga um trabalho no Canil Municipal da Moita. "Gosta muito de animais e sabe tratar bem deles", justifica, numa altura em que já houve contactos com os serviços da autarquia, estando João a aguardar pela entrevista para ver se o chamam. "Era bom, era", concorda, já depois de ter mostrado ao DN as salas azul, amarela e verde. São as cores do chão que permitem perceber a autonomia de quem as frequenta. Azul para os mais autónomos, habilitados, por exemplo, a trabalharem em contabilidade. É o caso de Nádia Rodrigues, 25 anos, que hoje secretaria a coordenadora do Centro de Atividades Ocupacionais. Sofre de ataxia ocular motora, que limita movimentos e o sistema nervoso, tal como os irmãos Milton e Élio que também estão na casa. A sala amarela é para jovens menos autónomos mas capazes de fazer trabalhos manuais, expô-los e até vendê-los. Na verde estão os utentes de mobilidade reduzida. Fazem trabalhos de relaxamento ou experiências sensoriais. Agora João já está dispensado e segue em passo acelerado para o almoço. Não será o cicerone na visita à sala onde salta à vista uma gaiola gigante destina à terapia intensiva. Chama-se pediasuit e já ajudou a Beatriz a adquirir marcha depois de ali ter chegado sem gatinhar. "São quatro horas durante quatro semanas", explica a terapeuta Margarida Agostinho, enquanto vai mostrando elásticos, pesos, cintas e o fato que é vestido pelos doentes que lhes permite estarem de pé, sentados ou de gatas. "É uma grande ajuda, porque conseguimos ter mãos livres para fazer outras coisas. Como estão estáveis conseguimos pedir que façam determinados exercícios sem que corram o risco de cair."
Fonte: DN.PT

Comentários

Destaques da Semana

Cadastro de Pessoas com Síndrome de Cornélia de Lange

Está disponível neste blog um formulário para cadastro das pessoas com Síndrome de Cornélia de Lange. Essa ferramenta vai permitir o contato das famílias e, também, é a primeira ação para a realizarmos o inédito encontro brasileiro de famílias de pessoas com a Síndrome de Cornélia de Lange, em 2013. O cadastro e composto por 9 informações. É fácil de ser preenchido e está disponível no menu principal do Blog. O cadastro não ficará disponível para consulta, porém mensalmente será encaminhado uma cópia  com as atualizações a todas as pessoas cadastradas. Nos EUA, Portugal e Argentina, como exemplos, existem Fundações, Associações, grupos de famílias para apoio das famílias. No Brasil não existe qualquer forma de apoio organizado, assim a Síndrome continua sendo muito desconhecida, causando muitas dificuldades às pessoas com a SCL e às famílias, em especial, quanto se trata de saúde e educação. Caros amigos pais, ajudem simples iniciativa e caso tenham dificuldade em ...

Relato de Caso: A agressividade no comportamento da pessoa com Síndrome de Cornélia de Lange

A amiga Lúcia Mussel já havia compartilhado com o nosso grupo de famílias de pessoas com Síndrome de Cornélia de Lange do Brasil a experiência em ajudar o querido Luiz Augusto (Guto). Uma das experiências que a Síndrome impõe é a agressividade. Pela importância e relevância das informações pedi a ela para disponibilizar aqui o texto.  Veja. " Sobre o Luiz Augusto que está com 37 anos, percorremos um longo caminho sobre a agressividade dele que começou em torno dos 14 anos.  Luiz Augusto (Guto), 37 anos, com Síndrome de Cornélia de Lange Antes, ele com os dois irmãos mais novos, talvez por brincarem muito juntos, não apresentou este quadro e de repente começou a nos bater o que nos assustou muito. Talvez ele tenha se sentido excluído em algumas brincadeiras com o crescimento dos irmãos e ele foi se isolando.  Começou a agredir as pessoas de casa, não importava a idade, e foi aumentando com o passar do tempo. Tomou Frontal que resolveu por uns ...

Conhecendo a Síndrome de Cornélia de Lange

A seguir está o estudo de Andréa Silverio Mauad, disponível no site amigo nerd em  26 abr 13. Síndrome de Cornélia de Lange (CdLS) O propósito deste trabalho é proporcionar apoio emocional e informações efetivas a pessoas que defrontam os desafios de cuidar de uma pessoa com a síndrome de Cornélia de Lange (CdLS). Imagem, sindromesgeneticos No passado, pouquíssimas informações achavam-se disponíveis para ajudar pessoas a enfrentarem a tarefa aparentemente insuperável de planejar, nutrir e proporcionar a subsistência de seu filho ou protegido portador de CdLS. A partir da incorporação da Fundação CdLS, tem ocorrido uma explosão virtual de informações sobre a síndrome.