Pular para o conteúdo principal

SÍNDROME DE CORNÉLIA DE LANGE EM UM RECÉM-NASCIDO: UM RELATO DE CASO


INTRODUÇÃO 
A síndrome de Cornélia de Lange (SCdL) é uma doença genética rara, acometendo 1 a cada 10 a 30 mil nascidos vivos. Ela ocorre por mutação de genes relacionados a coesinas, determinando dismorfismos faciais, malformações de membros, hipertricose, déficits de crescimento e cognição, além de cardiopatias, doenças gastrointestinais e renais. 

OBJETIVOS 
O objetivo do estudo é relatar os principais achados clínicos e intercorrências neonatais de um recém-nascido (RN) diagnosticado com a síndrome de Cornélia de Lange. 

DELINEAMENTO E MÉTODOS
Este é um relato de caso retrospectivo e observacional. Para o diagnóstico utilizou-se o escore clínico do 1º Consenso Internacional sobre SCdL e teste genético molecular. 

RESULTADOS
 RN, sexo masculino, nascido de 36 semanas e 1 dia, peso ao nascer: 1624 g, comprimento: 40 centímetros (cm), perímetro cefálico: 29 cm e APGAR 9/10. Nascido de parto cesárea devido restrição de crescimento intra-uterino (RCIU) e centralização fetal. 

Apresentou as seguintes características: 
oligodactilia em mão direita, sindactilia em mão esquerda, filtro labial longo, nariz curto e largo, cílios abundante, lábio superior fino e comissura labial voltada para baixo, baixa implantação de orelhas, hipertricose em região da fronte e dorso, genitálias de aspecto masculino e criptorquidia bilateral. 

Houve intercorrências neonatais como presença de mecônio espesso, com necessidade de oxigenoterapia em halo. Após, seguiu aos cuidados da unidade de terapia intensiva (UTI), apresentou dificuldade de sucção/deglutição e necessitou de dieta via sonda orogástrica (SOG). 

Em 48 horas evoluiu com desconforto respiratório e necessidade de intubação orotraqueal (IOT) e antibioticoterapia (ampicilina e gentamicina), com estabilização em 24 horas e extubação. 

No sétimo dia de UTI, apresentou taquidispneia, queda da saturação e hipertermia, foi então feito nova IOT e troca do esquema antibiótico (amicacina e cefepime). 

É importante ressaltar a dificuldade de ganho peso, mesmo com progressão e aceitação da dieta. Após saída da UTI e do médio risco, pesou 1985 g aos 25 dias de vida e seguiu aos cuidados da pediatria. 

CONCLUSÕES No caso, foi apresentado um RN com características clínicas clássicas da SCdL, além das intercorrências neonatais. Nesse sentido, vale ressaltar a importância da abordagem multidisciplinar, para acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor e do déficit ponderal.

 DESCRITORES: Anormalidade congênita; Malformações múltiplas; Síndrome de Cornélia de Lange.

Autores:
Lisiane Stroparo¹; Célya Regina Goebel²; Marcelen Rosenscheg² ¹ Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, Guarapuava - PR. ² Centro Universitário Campo Real, Guarapuava - PR. E-mail para contato: med-celyagoebel@camporeal.edu.br 

Fonte: Clinica Médica

Comentários

Destaques da Semana

Síndrome de Cornélia de Lange e Autismo

O Jordano recebeu o diagnóstico de Síndrome de Cornélia de Lange (SCdL) aos dois anos e, somente aos oito, o diagnóstico de autismo. No cotidiano, sempre foi mais simples dizer que ele era autista para facilitar a comunicação com profissionais da saúde, da educação e com as pessoas em geral. Quando se menciona a Síndrome de Cornélia de Lange, a barreira costuma ser ainda maior. Jordano, 28 anos, com Síndrome de Cornélia de Lange - 23/11/25 Ambos os diagnósticos foram feitos de forma clínica. Nunca foram realizados exames genéticos para investigar a relação entre as duas condições, embora hoje já existam evidências científicas importantes de que mutações raras, especialmente no gene NIPBL , localizado em 5p13.2,  estejam associadas à SCdL e possam contribuir para o desenvolvimento de características do espectro autista. Para entender melhor essa relação, utilizei o ChatGPT como ferramenta de busca, leitura e interpretação de artigos científicos sobre SCdL e autismo. Como nem todos ...

Comportamentos Repetitivos e Autolesivos na Síndrome de Cornélia de Lange

Os comportamentos repetitivos e autolesivos do Jordano continuam sendo uma das maiores preocupações da família, tanto pela segurança dele quanto pelo impacto emocional sobre todos ao redor. Por isso, estudos que investigam esses comportamentos na Síndrome de Cornélia de Lange (SCdL) são ferramentas essenciais para compreender melhor o que está acontecendo. Jordano, 28 anos, com Síndrome de Cornélia de Lange. Foto: 11/01/25 O artigo analisado SRIVASTAVA, S. et al. Repetitive and Self-Injurious Behaviors in Children with Cornelia de Lange Syndrome. Journal of Autism and Developmental Disorders, 2020. Publicação vinculada a instituições como Boston Children’s Hospital, Johns Hopkins University, University of Minnesota e Yale School of Medicine. Disponível em: <https://ern-ithaca.eu/> Do que se trata o estudo? De forma simples, o estudo buscou entender quais comportamentos repetitivos e autolesivos aparecem em crianças com SCdL, o quanto são frequentes, quão graves podem ser e como ...

São Paulo, SP: a Jovem Talita

A Talita, com Síndrome de Cornélia de Lange, filha da Clécia e do Maurício, residem na cidade de São Paulo, Capital.  A Clésia solicita informações para ajudar a lidar com as condutas de agressividade, irritabilidade, auto-flagelo e manias da Talita, de 17 anos.  Contatos podem ser feito pelo e-mail: cleciavrsilva@globomail.com Museu do Ipiranga - São Paulo, SP